sábado, 20 de setembro de 2008

INFORMAÇÃO QUE GIRA PELAS ONDAS DO RÁDIO

No começo era um programa sobre ecologia na rádio universitária. A idéia surgiu em 1991, quando um grupo estudantes de Comunicação Social da UFC. Quatro anos mais tarde, os jovens resolvem extrapolar os limites do programa e criam a ONG Catavento Comunicação e Educação Ambiental.
E em 2005, dez anos após a fundação, o grupo resolve focar as discussões em Educação e Comunicação, uma estratégia encontrada para garantir desenvolvimento humano. O trabalho da ONG é desenvolvido com as crianças e adolescentes do semi-árido.
Com a mudança de foco, o grupo de profissionais é formado basicamente por pedagogos e jornalistas, são 20 no total. Uma das profissionais é a jornalista Tarciana Campos. Durante um bate-papo com a turma da disciplina de Cobertura da Agenda Social, numa salinha do ‘puleiro’, na UFC, ela explicou como funcionam as atividades desenvolvidas na Catavento.
O programa ‘Segura essa Onda’ é uma delas. Depois de receberem capacitações com o pessoal da Catavento, os jovens das escolas do interior passam a utilizar as ondas do rádio para discutir temas que interessam a cada um deles. O meio de comunicação é uma maneira de permitir o diálogo e aproximar jovens e educadores. E a internet (www.seguraessaonda.org.br) surge como forma de possibilitar um intercâmbio de produções entre as diversas escolas envolvidas no projeto.
E como o amor da ONG é mesmo pelo rádio, eles também organizaram a Rede de Radialistas Amigos e Amigas da Infância. O grupo começou a trabalhar em 2002 com apenas 30 pessoas. Hoje já são 294 radialistas espalhados pelo Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte. Juntos, eles fazem um programa semanal, o Sintonia Infância, veiculado toda quarta-feira, às 13h30, na Rádio Universitária. O programa é uma maneira diferente de cobrir, em todas as regiões desses três estados, os assuntos relacionados à infância. Assuntos como deficiência, migrações, entre outros que acabam sendo deixados de lado pela grande mídia para dar espaço a temas como violência e educação, ou outros que recebem uma cobertura extremamente factual, recebem destaque no Sintonia Infância.
Por causa das coberturas especiais, a Catavento faz parte da Rede Andi (Agência de Notícias do Direito da Infância), da qual faz parte desde 2004. Assim, a ONG Catavento trabalha, no Ceará, para cumprir a missão da Rede, contribuindo para que os meios de comunicação façam uma construção diferenciada dos assuntos ligados à infância, sempre priorizando a promoção e a defesa dos direitos da criança e do adolescente. Apesar da missão ser difícil, não é impossível. Os resultados de uma mudança, mesmo que sutil, foram percebidos na cobertura que a grande mídia deu dos 18 anos de Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), no Ceará. As coberturas, que Tarciana fez questão de mostrar durante a conversa, ainda são muito voltadas para o factual, mas já trazem uma linguagem diferenciada, reflexo de cursos direcionados ao assunto nas redações e na universidade. E sinal de que ainda é possível continuar melhorando a cobertura social.

Por Pamela Lemos

MEGAfone

Do Grego: mégas, grande + phoné, voz.
Substantivo masculino, espécie de porta-voz, também denominado altifalante; instrumento para ampliar e direcionar o som.
Descrição que tem tudo a ver com o trabalho desenvolvido pela turma do Projeto Megafone. A idéia surgiu do trabalho desenvolvido pela Encine, ONG que iniciou suas ações em 1999 com cursos que pretendiam possibilitar que jovens de baixa renda fizessem arte por meio de vídeos, fotografias e, com isso, pudessem refletir um pouco sobre a realidade vivida por eles.
O que era apenas um curso com começo-meio-fim, acabou se transformando em um grande projeto que já atendeu centenas de jovens cearenses. Ao longo do tempo, o grupo de orientadores e oficineiros, coordenados por Ives Albuquerque, teve a idéia de criar um ambiente onde os conhecimentos técnicos aprendidos pelos jovens pudessem ser praticados.
Nascia assim o Megafone. Uma alternativa de aqueles jovens terem sua voz escutada por milhares de pessoas. Era a maneira de expressar a voz direta dos jovens, sem intermediários, e estereótipos. Um projeto que se organizou para produzir para um programa de televisão em canal aberto e nele ser reconhecido como forma de pensar sobre a sociedade.
Então, em maio de 2002, a Encine levou a proposta para a TVC (televisão pública do Ceará), que em agosto abriu um horário na sua grade para um programa de 30 minutos sobre o mundo jovem e feito pelos jovens da ONG. Era a concretização do sonho ampliar a voz do jovem para além da comunidade, da escola, de casa.
De lá pra cá, já foram veiculados mais 100 programas que, atualmente, já estão disponíveis via internet. Os temas são bem variados e possibilitam uma interação entre jovens das escolas públicas e das universidades, num intercâmbio constante de conhecimento.
Lucas Vieira, 18 anos, é um dos jovens envolvidos no Megafone. Como já está há dois anos no projeto, em pouco tempo deve seguir outros rumos, que, com toda certeza, será influenciado pelo trabalho desenvolvido no Megafone, que mudou a maneira dele enxergar o mundo.
Jornalista? Talvez sim.Cientista Social? Quem sabe... Uma coisa é certa: ele já sabe como fazer o pensamento dele ultrapassar fronteiras através de um megafone.
Por Pamela Lemos

DE LÁ PRA CÁ, MUITA COISA MUDOU...

...mas tem gente que ainda teima em usar as mesmas as palavras!

A Segunda Guerra Mundial acabou e com seu fim surgiu a necessidade de cuidar das crianças vítimas desse grande conflito sangrento. Desamparo familiar, fome, doença, morte. Os futuros cidadãos do mundo estavam em perigo e como uma forma de ‘salvar’ esses meninos e meninas surgiu, em 1946, o Fundo de Emergência da Organização das Nações Unidas (ONU).
Quatro anos mais tarde, a ONU percebeu a necessidade expandir o serviço para outros países em desenvolvimento e, em 1953, acabou por tornar o fundo permanente. Foi então criado o Fundo das Nações Unidas para a Infância, UNICEF, baseado na convenção dos direitos das crianças e adolescentes.
No Brasil, o UNICEF tem 58 anos de atuação. Durante essas quase seis décadas, tem conquistado espaço na mídia nacional. Em Fortaleza, o trabalho com a imprensa é acompanhado de perto pela Oficial de Comunicação do UNICEF, Ana Márcia Diógenes, responsável não só pelas atividades desenvolvidas no Ceará, mas também no Rio Grande do Norte e no Piauí.
Na região semi-árida, a cobertura dos assuntos ligados a crianças e adolescentes cresce ano a ano. De acordo com a jornalista Márcia Diógenes, de 1996 a 2004, a abordagem do tema infância cresceu 1300% no Brasil. Mas a qualidade da cobertura nem sempre estava presente nas matérias dos jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão.
Na grande mídia, não especializada, as notícias relacionadas à infância estavam, segundo a jornalista, relacionadas a temas como exploração do trabalho infantil, abuso sexual, crimes. As nomenclaturas utilizadas pelos profissionais da imprensa nem sempre eram, ou melhor, são as mais adequadas para tratar o assunto. Problemática que vem sendo solucionada com o aumento de disciplinas nas Universidades brasileiras que tratam da cobertura dos movimentos sociais. Mas e os jornalistas que já estão fora dos bancos universitários? Quanto a eles... Bom, o jeito é persistir em cursos de aprofundamento sobre o tema, além de uma boa reciclagem e muita leitura, é claro.
E nós, companheiros e companheiras, vamos atentar para os termos e deixar de usar palavras comuns no tempo da ‘Segunda Guerra Mundial’. É aproveitar essa cadeira, ou melhor, disciplina, para corrigir detalhes que parecem bobos, mas que fazem toda a diferença na cobertura da agenda social.

Por Pamela Lemos

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Comunicação e educação, ligação mais real e necessária que se imagina

Em 2007, tive uma oportunidade ímpar de expandir os meus conhecimentos, não somente na área de comunicação, mas na descoberta de novas realidades alheias ao meu dia-a-dia. Em meio a um sentimento de desafio, iniciei um estágio na Secretaria de Educação de Maracanaú. Lá, convivi com as dificuldades enfrentadas por quem é estudante da rede pública de educação e me apaixonei pela causa da comunidade escolar. Não me restou dúvidas do quanto a comunicação é importante na busca da escola ideal.

Embora as dificuldades se apresentassem no ambiente, em quase um ano que fiquei por lá descobri o quanto os estudantes de escolas públicas querem pensar e mudar a realidade, muitas vezes cruel, que os cercam. É incrível como são determinados. Um potencial surpreendente, uma energia que não encontrei nos colégios particulares em que estudei. Para eles, qualquer oportunidade vale muito. Quando têm um suporte, realmente produzem conhecimento, e nos deixam a sensação de que o mundo realmente tem jeito através da educação.

Talvez o professor nem saiba. O meu contato com a ONG Encine se deu nesse período. Em uma das escolas de Maracanaú, chamada Instituto São José, presenciei a formação de um Laboratório de Comunicação Educativa (Lace) em todas as suas fases, desde as capacitações com os professores até a parte física do laboratório. Foi uma experiência interessante. Adolescentes, se eu não me engano do 7º e 8º ano, tinham ali a oportunidade de expandir o conceito de escola e de, realmente, inverter o processo ao qual o aluno é mero repetidor de informações expostas por um professor doutrinador.

Um estímulo à autonomia e ao desenvolvimento do sentimento coletivo dos estudantes. Como o professor Ives colocou em sua exposição em sala sobre a Encine e o programa “Megafone”, o projeto que tive oportunidade de conviver diariamente, pertencente à entidade coordenada por ele, é uma forma de estabelecer uma cidadania ativa dos novos sujeitos sociais nas escolas. E como ele mesmo disse, as formas como essa cidadania se manifesta podem surgir de diversas formas.

Daí, o que sai das câmeras, computadores, microfones são apenas extensões do que realmente ocorre naquela comunidade escolar. É um conhecimento adquirido, produzido e, melhor de tudo, identificado entre os sujeitos, impossibilitando qualquer possibilidade do processo educativo ser meramente repetitivo.

Aliar comunicação à educação é extremamente benéfico para a formação da escola mais desejada. Infelizmente, o Estado não se deu conta do quanto essa associação é importante, embora parcerias com entidades, como a Encine, tenham proporcionado avanços interessantes em muitas comunidades escolares.

A sociedade pode participar, mas não sabe

No dia 18 de setembro, tivemos a presença de Flor Fontenele, conselheira municipal dos direitos da criança e adolescente e representante da sociedade civil. O tema abordado foi a Constituição de 1988, que Fontenele afirma ser uma “constituição cidadã”. Ela explica essa afirmação citando o artigo 227, que diz que a sociedade pode se reunir e se organizar enquanto sociedade civil e exercer o papel de controle social. Ou seja: o Estado não pode fazer tudo sozinho, ele tem que dar direito à sociedade a monitorar o trabalho e propor políticas públicas.

“É através dos Conselhos que a sociedade civil vai se organizar e denunciar”, disse Flor. Os Conselhos são grupos de pessoas que se reúnem para aprovar políticas públicas, como o Ronda do Quarteirão, por exemplo. Eles são específicos por temáticas e são paritários, ou seja, metade do grupo é formada pelo Poder Público e metade pela Sociedade Civil. Quem sustenta os Conselhos é o Poder Público.

Fontenele fala sobre as reuniões mensais, que ocorrem duas vezes ao mês, e sobre as reuniões extraordinárias, que ocorrem quando há necessidade. “Conselho é espaço deliberativo”, a sociedade pode se organizar em redes e fóruns para pressionar o Poder Público em busca de seus interesses.

Já voltando para a temática criança e adolescente, a conselheira falou sobre o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente. Ela afirma que antes da elaboração do mesmo, existia o Código de Menores, que não favorecia as crianças e adolescentes como um todo, mas favorecia apenas aquelas que estavam à margem da sociedade, como meninos de rua. Ela afirma que o ECA, apesar de não ser bem visto pela maioria da sociedade, foi um avanço para a conquista dos direitos da criança e do adolescente, a começar pelo tratamento, pois no código antigo, o nome “menor” era bastante utilizado e diminuía ainda mais a situação na qual crianças e adolescentes se encontravam.

A importância da conversa traduz-se em uma frase que Flor proferiu no início do encontro: “O brasileiro não cobra seus direitos porque não os conhece”. Ou seja, se todos buscassem conhecer a Constituição, seria mais fácil lutar pelos seus direitos e agir para uma mudança geral no modo como o Poder Público conduz as situações.

18 anos do ECA e a mídia

Para a nossa terceira conversa, recebemos Tarciana Campos, que conversou conosco sobre a ONG Catavento Comunicação e Educação. A Catavento surgiu como programa de rádio na FM Universitária, com a participação dos professores do curso de Comunicação Social da UFC, Nonato Lima e Márcia Vidal.

Primeiramente, o programa tratava de assuntos relacionados ao meio ambiente. Com o aumento da audiência, houve uma parceria com o Ministério do Meio Ambiente. Em 1995, foi lançada, oficialmente, a ONG Catavento Comunicação e Educação Ambiental.

As temáticas abordadas eram relacionadas à criança e adolescente, comunicação e educação e meio ambiente, sempre se levando em conta o semi-árido cearense. Fazendo-se uma pesquisa de cobertura de mídia, foi constatado que os temas relacionados à Criança e Adolescente são pautas crescentes; violência e educação são os temas mais abordados. Há um equilíbrio entre as fontes governamentais e as não-governamentais. Entretanto, foi percebido que esses temas não são tratados de forma aprofundada. Além disso, muitas pautas ficam ocultas, dentre elas a deficiência e migrações.

Tarciana comentou que o ano de 2008 foi marcado pela comemoração dos 18 anos do ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, no dia 13 de julho. Por volta de maio/junho de 2008, o Fórum DCA começou a se articular. Foram realizadas reuniões para a construção de estratégias. O Fórum DCA divulgou um calendário que continha duas datas importantes: 3 de julho: coletiva de imprensa sobre infância e adolescência; 11 de julho: manifestação em frente à STDS (Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social).

Para a exposição do assunto, Tarciana levou recortes de jornais com as principais manchetes da época, dentre elas:

- Jornal O Povo: “Crianças e adolescentes têm direitos descumpridos”, “Comemoração com protesto e bandas”, etc – o jornal O Povo planejou fazer uma série de reportagens sobre o tema;
- Diário do Nordeste: “18 anos de avanços e desafios” – o jornal Diário do Nordeste utilizou falas de crianças na reportagem;
- O Estado: “Estado, família e sociedade em prol das crianças e adolescentes”, “Crianças desenham sonhos com o aniversário do ECA” e “Maioridade do ECA é festejada com caminhada” – o jornal O Estado teve sua cobertura pautada pelos releases.

Encerrando a conversa, ela afirmou que “ainda falta debate para o avanço ser maior”. As pautas sobre a criança e o adolescente devem estar na mídia não apenas em datas festivas, mas a todo instante, tornando-se presente no dia a dia da sociedade.

Democratizando a Voz

Para a segunda conversa com a turma da disciplina Cobertura da Agenda Social, contamos com a presença do professor Yves Albuquerque, coordenador da ONG ENCINE. Em um bate-papo descontraído com a turma, ele falou sobre a fundação do ENCINE e sobre o Megafone, um programa realizado pela ONG.

Segundo Yves, a ONG surgiu a partir de um seminário realizado em maio de 1988. Entretanto, ela passou a funcionar oficialmente no ano de 1989. “Ela surgiu da vontade de democratizar possibilidades de se ter acesso às tecnologias da comunicação”, disse o professor. Assim, o grupo trabalhou promovendo cursos em escolas públicas.

O ENCINE é uma ONG de terceira geração, uma agência de difusão dos direitos humanos com foco na criança e no adolescente. Ela atende 8 escolas, cerca de 50 pessoas por mês. A divisão é feita em células, que são as seguintes:

- Célula de Educação (Com cursos para professores e jovens da Escola Pública);
- Célula de Mobilização Social;
- Célula de Comunicação;
- Célula de Sustentabilidade.

Yves ainda falou sobre o Megafone, programa televisivo desenvolvido pela ENCINE, que é exibido todo domingo, às 14:00h, e reprisado aos sábados, às 16:30h, pela TVC, para todo Ceará.
O Megafone foi indicado pelo Ministério da Justiça como Especialmente Recomendado para Crianças e Adolescentes, por abordar temas interessantes para a juventude, de relevância social e que estimula a participação de redes. Nele, há a democratização da voz e a troca de subjetividade.

O programa conta com a média de 22 jovens realizadores e tem 6 anos de existência. Durante esse período, foram exibidos mais de 100 programas, com participação de mais de 200 instituições sociais e 100 escolas e teve cerca de 200 pessoas entrevistadas. Nada melhor que um programa feito por e para jovens para expressar toda forma de pensamento em uma linguagem única para essa turma.

Unidos pela Infância

A disciplina Cobertura da Agenda Social do curso de Comunicação da Universidade Federal do Ceará recebe periodicamente convidados que falam sobre diversos temas relevantes para a sociedade. Para a primeira conversa com a turma, esteve presente na faculdade a oficial de comunicação do UNICEF, Ana Márcia Diógenes.

Em uma conversa focada no tema “Criança e Adolescente”, Ana Márcia abordou assuntos pertinentes ao UNICEF – Fundo das Ações Unidas para a Infância, que atua em 155 países. O seu ano de fundação foi 1946. Ele surgiu com o intuito de ajudar as crianças vítimas da guerra e hoje defende os direitos das crianças e adolescentes de todos os países, contribuindo para o seu desenvolvimento. No Brasil, a sede fica localizada em Brasília. Entretanto, existem escritórios em outras cidades brasileiras, dentre elas Fortaleza.

O fundo possui vários projetos, entre eles o “Selo Unicef”, citado pela jornalista, que visa incentivar os municípios a melhorar a qualidade de vida das crianças e adolescentes. Para Ana Márcia, esse projeto tira os políticos da passividade frente aos problemas da infância e adolescência, que passam a ser visualizados de outra forma.

Ana Márcia afirmou que a constância do assunto na mídia mudou a maneira que a sociedade enxerga o tema. Hoje, ele tem mais destaque, pois as matérias relacionadas ao assunto ganharam espaço e se tornaram humanizadas, devido ao conhecimento dos profissionais sobre os problemas enfrentados, fazendo com que as pessoas se sensibilizem e comecem a tomar uma atitude.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Mídia amplia cobertura sobre crianças e adolescentes

Por Viana Júnior

Sabemos que toda lei que proporciona uma revolução cultural produz avanços lentos, pois há necessidade de adaptação, aceitação e muita propagação. Com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que completou 18 anos, não seria diferente.

A jornalista Tarciana Campos, que trabalha na ONG Catavento, afirma que houve um avanço significativo na cobertura da temática sobre a infância e a adolescência pela mídia. Antes, as crianças e adolescentes não tinham voz nos jornais e nas televisões. Eles eram o assunto da reportagem, mas não eram escutados. O jornal Diário do Nordeste, por exemplo, fez uma matéria que mostrava as opiniões dos adolescentes sobre o estatuto.

Apesar dessas conquistas, alguns problemas persistem. As reportagens continuam sendo factuais, ou seja, não aprofundam o assunto retratado e estão ligadas a eventos, como o aniversário do Estatuto. Entre os temas predominantes temos a violência e a educação. A primeira sempre levando os jornalistas a erros graves que desrespeitam o ECA. E a segunda mostrando as deficiências do setor, sem levantar debates novos quanto ao tipo de educação que essas crianças e adolescentes recebem.

O número de matérias com a temática infância e adolescência tem aumentado. As discussões sobre os direitos deles também. Mas a sociedade ainda precisa saber sobre suas responsabilidades dentro do Estatuto. Para isso, é necessário utilizar mais e melhor os meios de comunicação como forma de propagação dos direitos e deveres instituídos no ECA. Tarciana reconhece que a mídia já está mais interessada no assunto, no entanto, não há fontes preparadas para lidar com a imprensa. Esse é um Mpíbom sinal do avanço alcançado pelos movimentos sociais que lutam pelos direitos das crianças e dos adolescentes.

Educação e comunicação na ondas da Catavento

Recebemos em sala de aula Tarciana Campos, da ONG Catavento, para continuar as discussões sobre mais um tema de relevância social: a compreensão da comunicação como elemento de conscientização e transformação da sociedade.

Apesar de ter iniciado suas atividades há mais de 12 anos com uma preocupação predominantemente ambiental, a Catavento Comunicação e Educação ampliou sua área de interesse e adotou como prática pensar e utilizar a comunicação e a educação como meios para promover o desenvolvimento humano. Além de ser representante no Ceará da Rede ANDI - Rede da Agência Nacional dos Direitos da Infância - que monitora a cobertura da mídia local no tocante aos direitos da criança e do adolescente e procura mobilizar os jornalistas sobre o assunto, a Catavento mantém vários projetos.

Dois dos projetos comentados por Tarciana, “Segura essa Onda” e “Sintonia Infância”, (este em conjunto com a Rede de Radialistas Amigos e Amigas da Infância) utilizam o rádio como meio de transmissão, que, apesar das novidades tecnológicas, continua sendo a forma mais econômica e abrangente de alcançar seu público alvo.

É animador saber que, apesar das falhas que ainda podem ser apontadas na imprensa local, muito já foi melhorado e que muitos jovens e radialistas, principalmente no interior do Estado, têm se voltado para esta reflexão, por meio da qual toda a sociedade só tem a ganhar.

Mídia e Movimento Social na luta pelos Direitos da Criança e do Adolescente

Em julho deste ano, comemorou-se os 18 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA. Em Fortaleza, os movimentos sociais envolvidos nessa causa mobilizaram-se, a fim de divulgar a importância do conhecimento e da efetivação dos direitos da criança e do adolescente.

Uma das entidades participantes do movimento foi a ONG Catavento Comunicação e Educação. A Catavento, além de articular projetos que beneficiam crianças e adolescentes do semi-árido, funciona como uma agência da Rede ANDI (Agência de Notícias dos Direitos da Infância), monitorando a cobertura dos temas da infância e da adolescência na mídia. Nos 18 anos do ECA, a entidade envolveu-se ativamente, participando das manifestações e observando o tratamento que a imprensa cearense deu ao tema.

De acordo com a jornalista da ONG Catavento, Tarciana Campos – que acompanhou todo o processo de mobilização dos movimentos sociais ligados a essa temática – houve uma melhora na cobertura do aniversário do estatuto. Os jornalistas estiveram presentes, tanto na entrevista coletiva dos militantes com a imprensa, como na manifestação que o movimento fez na Secretaria do Trabalho e do Desenvolvimento Social. Para ela, a mídia mostrou-se mais interessada no assunto, no entanto, as fontes demonstraram falta de qualificação e despreparo para tratar com a imprensa.

Tarciana acredita que ainda há muito o que melhorar. Segundo ela, muitas matérias foram bem elaboradas, mas faltou a participação dos principais interessados no assunto: as crianças e os adolescentes. Apenas o jornal Diário do Nordeste utilizou as próprias crianças como fonte na matéria sobre as comemorações do ECA. A jornalista destacou também a falta de mobilização social e a fragilidade das ações do governo como possíveis causas para a ausência de um debate crítico sobre o tema.

Texto produzido com base no depoimento de Tarciana Campos, jornalista da ONG Catavento Comunicação e Educação, em 11 de setembro de 2008 à turma da disciplina Cobertura da Agenda Social da Universidade Federal do Ceará.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Criança e adolescente: uma nova pauta para a mídia

Contemplando mais um tema da disciplina Cobertura da Agenda Social, a jornalista Tarciana Campos falou, na última quinta-feira, sobre a ONG Catavento e a sua ligação com a criança, a educação e a comunicação.

Em 1995, quando a ONG Catavento surgiu, ainda com o formato de um programa de Rádio, organizado por alunos de comunicação e educação da Universidade Federal do Ceará – UFC, seu tema principal estava ligado à aspectos ambientais. Mais de uma década depois, mais madura e experiente, a Catavento trata, prioritariamente, de assuntos relacionados à criança e ao adolescente.

Trabalhando em parceria com a Rede Andi, que monitora os meios de comunicação para que sejam respeitados os direitos da criança e do adolescente, a Catavento já comemora as mudanças implantadas. “A grande reclamação era que esse assunto nem ao menos era pautado pela mídia. Mas hoje, esses números estão crescendo”, enfatizou Tarciana Campos.

Segundo a jornalista, percebe-se também uma melhoria qualitativa na cobertura deste assunto: “Um progresso é a cobertura não apenas de fontes oficiais, mas das ONGs, crianças e pais”. Entretanto, Tarciana destacou a necessidade de um debate mais crítico sobre o tema, ações governamentais mais fortes e o destaque para assuntos que hoje são ocultados pela mídia, como deficiência e migrações.

Para ela, as primeiras mudanças, do comportamento da mídia, puderam ser observadas durante as comemorações dos 18 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, em que houve uma mobilização nacional dos jornalistas, que correram atrás de uma cobertura bem feita, com múltiplas fontes, inclusive as das crianças, e contextualizada.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Ajudando a mídia a entender a infância

Camila Grangeiro


A temática “infância e adolescência” dentro da mídia, ainda não está focada dentro do que poderíamos chamar de ideal. A abordagem ainda é pequena, as matérias não aparecem com freqüência, são muito factuais, não aprofundam a temática de criança e adolescente como política pública, algumas pautas são deixadas de lado, como deficiência e migrações. Mas, apesar dessa falha, não podemos negar que esse tema vem ganhando mais visibilidade.

A ONG Cata-vento Comunicação e Educação trabalha em cima dessa temática junto aos meios de comunicação. A Cata-vento começou como um programa de rádio sobre meio ambiente, foi crescendo e se institucionalizou como ONG em 1995. A temática foi mudando e não se limitou apenas à Educação Ambiental, e foi se aproximando muito do tema Criança e Adolescente no Semi-árido. A Cata-vento trabalha junto à imprensa, dentro do assunto que abrange criança e adolescente.

A jornalista da ONG, Tarciana Campos, disse que vêm crescendo o número de matérias jornalísticas em relação à infância, mas que ainda precisa melhorar bastante. Tarciana comentou sobre os 18 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que aconteceu em julho de 2008, que trouxe maior visibilidade ao tema, pois a grande maioria dos veículos de comunicação tratou do tema em questão.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Agenda Social do Unicef no Brasil

O Unicef surgiu como fundo de emergência para auxílio às crianças vítimas da Segunda Guerra e tornou-se fundo permanente em 1953. Desde então ampliou sua atuação, estabeleceu-se como primeira instituição em nível mundial a implementar ações em favor da criança e do adolescente. Atualmente, a instituição é mantida por doações de pessoas físicas e jurídicas e instituições governamentais e não governamentais do mundo todo.

Hoje o Unicef atua em 150 países. No Brasil mantém escritórios divididos em Plataformas de acordo com a realidade local de cada região. Ao todo são oito escritórios (quatro deles na Região Nordeste) e 120 funcionários (onze deles responsáveis por atender aos três estados nordestinos considerados pontos críticos: Piauí, Rio Grande do Norte e Bahia. Além dos escritórios a instituição mantém uma sede em Brasília, responsável por estabelecer o contato e manter a relação com o Governo.

O trabalho da Instituição consiste em realizar ações em todo o mundo para a defesa e o desenvolvimento da criança e do adolescente em regiões carentes ou vítimas de situações críticas, como a seca. Essas ações fazem parte de uma rotina organizada de planejamento e avaliação de resultados, que, no caso brasileiro, inclui uma avaliação qüinqüenal conjunta com o Itamaraty para determinar a manutenção ou a reconfiguração do cronograma de trabalho dos cinco anos seguintes.

A relação do Unicef com a comunicação é muito forte e trabalhada em duas vertentes principais: a comunicação estratégica e a comunicação comunitária, ambas voltadas para o incentivo à produção da comunicação por setores carentes da sociedade, mais especificamente pelas crianças.

A prova de que a comunicação é uma ferramenta poderosa da agenda da instituição é o Selo Unicef, atualmente o projeto mais representativo da instituição no cenário nacional. Outros exemplos desse vínculo são os projetos executados em parceria com instituições e ONGs da área da comunicação, como a Rede ANDI, Catavento (CE) e Instituto Terramar (RN) e a realização de eventos para estudantes e profissionais da área, como o seminário Mídia, Criança e Adolescente.

Todas as ações comunicacionais implementadas pelo Unicef são voltadas para a discussão da relação existente entre governo, sociedade e mídia com a criança e o adolescente e para a promoção de uma mudança comportamental na maneira como esses setores se enxergam mutuamente.

Texto produzido com base no depoimento de Ana Márcia Diógenes, oficial do Unicef no Ceará, em 21 de agosto de 2008 à turma da disciplina Cobertura da Agenda Social 2008.2.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Unicef e a mídia

Camila Grangeiro

No dia 21 de agosto, os alunos da disciplina de cobertura da agenda social da Universidade Federal do Ceará (UFC), receberam a visita da jornalista Ana Marcia Diógenes, official de comunicação do Fundo da Nações Unidas para a Infância (Unicef).

O Unicef trabalha em 155 países ajudando a transforma a vida de crianças e adolescentes. Foi criado como fundo de emergência para atender crianças e adolescentes vítimas da segunda Guerra mundial, depois se estendeu para outros países que precisavam de ajuda. No Brasil está presente desde 1950, e a cada cinco anos desenvolve um plano de trabalha com o Governo Federal.

O trabalho de Ana Marcia diz respeito à mídia, criança e adolescente. Ela foi indicada como jornalista amiga da criança. Relatou alguns trabalhos de catalogação de qualidade e quantidade em que a temática dos direitos da criança é tratada na mídia, e constatou que é precária a forma como os meios de comunicação tratam de um assunto tão importante.

A jornalista também explicou que o Unicef é apartidário, por isso nenhum politico pode utilizar o nome da Fundação em campanhas, mesmo que em seu mandato a cidade tenha recebido o Selo Unicef, que é um reconhecimento internacional de um município que tenha colaborado para a melhoria da vida de crianças e adolescentes.

A vontade de democratizar a comunicação

A relação entre informação, conhecimento e cidadania tem se mostrado cada vez mais estreita para as organizações do terceiro setor. Antes vista apenas como um instrumento para alcançar objetivos, a comunicação agora é pauta as ONGs (organizações não governamentais) como a Encine.

Fundada há dez anos, a entidade trabalha para promover atividades educacionais e culturais com crianças e adolescentes de escolas públicas, utilizando-se das tecnologias de informação e comunicação, especialmente a televisão. No início, foram ofertados cursos para os jovens produzirem arte, através do vídeo (ainda VHS) e, com isso, refletir sobre a sociedade.

O uso das tecnologias de informação e comunicação foi visto, então, como essencial para dar “poder” às comunidades excluídas. Para o coordenador da Encine, Yves Albuquerque, o direito à comunicação é muito mais amplo do que se pensa. Segundo ele, todos deveriam ter esse direito e ele implica em não apenas receber, mas transmitir informações e pontos de vista. Este direito, na forma como a comunicação tradicional hoje se estrutura, não é garantido à sociedade o que prejudicaria a consolidação da democracia e aumentaria ainda mais a exclusão social.

Todos devem ter acesso aos meios de comunicação para expressar o que pensam. Ninguém precisa de intermediário.

Megafone: direito de comunicar-se

Yves Albuquerque disse que “a vontade de democratizar o acesso às tecnologias de comunicação e dar aos jovens mais oportunidades para se expressar”, sempre foi o principal objetivo da entidade. Pensando nisso, a ONG criou o Megafone, um programa feito por e para jovens com o objetivo de pensar a sociedade. O mais importante: não é um estereotipo dos jovens.

Ao longo desse seis anos, já foi visibilizado mais de 200 escolas e ONGs, inspirado outra ONGs a realizarem seus programas e aberto caminho para veicularem na própria TVC. O Projeto é reconhecido como uma experiência bem sucedida e único Programa do Norte/Nordeste a ter um Selo de Especialmente Recomendado para Crianças e Adolescentes.

ONG, Encine, Megafone!

Por Gabriela Meneses

1988. O Brasil inicia um novo momento no cenário político e social do país: a promulgação da Constituição Federal de 1988, a sétima a reger o país desde a sua independência. A nova constituição proporcionou ao cidadão comum a possibilidade de ser protagonista na sociedade, uma vez que a situação de bem-estar social deixou de ser dever apenas do Estado.


A partir disso, a sociedade civil, ao se organizar com objetivos específicos, incentivou o avanço dos movimentos sociais, surgidos na década de 70. Durante os anos 90, as instituições sociais começaram a desenvolver um processo de profissionalismo, adquirindo características de empresa, empreendendo grandes projetos, visando ao bem-estar de determinados grupos sociais.


Assim, várias Organizações Não Governamentais com objetivos sociais diversos aparecem no cenário brasileiro. Em Fortaleza, no final da década de 90, surge a Encine, coordenada pelo comunicador Ives Albuquerque, com a idéia inicial de realizar cursos de audiovisual para crianças e adolescentes de escolas públicas. Hoje, a ONG se declara uma agência de difusão e promoção dos Direitos Humanos do público infanto-juvenil.


O trabalho da Encine baseia-se em três grandes eixos: a educação, a comunicação e a mobilização social. Megafone! é o projeto que aproxima os três princípios de ação da instituição. A iniciativa surgiu para democratizar o acesso de estudantes de escola pública aos meios de comunicação. A Encine, através de oficinas com os adolescentes, forma os ARCOS (Arte comunicadores sociais) que depois podem trabalhar no programa Megafone!. O programa é veiculado na TV Ceará, nas tarde de domingo, e pauta temas de relevância social, escolhidos pelos próprios adolescentes ou por outras instituições de movimento social.


O programa, que vai ao ar desde agosto de 2002, tem potencial para atingir boa parte dos jovens e adolescentes cearenses na conscientização do seu papel social. Megafone! traz a cada edição uma nova maneira de fazer ler o mundo. O programa é a prova de que a mobilização social pode dar certo e que o universo das ONG’s, com trabalho sério e iniciativas criativas, só tende a crescer no país.

domingo, 7 de setembro de 2008

Reflexões sobre Jornalismo e Responsabilidade Social

A disciplina de Cobertura da Agenda Social propõe questões de relevância social e nos faz refletir sobre a responsabilidade do comunicador, jornalista ou publicitário, no tratamento e divulgação destes temas. A primeira convidada para a série de encontros foi a oficial de comunicação do UNICEF em Fortaleza, Ana Márcia Diógenes.

Conhecemos o objetivo principal do UNICEF: a defesa dos direitos das crianças e adolescentes no mundo. Para isso, mantém ações em 191 países, entre eles o Brasil. Através de seus projetos, um deles é o Selo UNICEF, este organismo internacional busca formar parcerias com governos federal, estaduais e municipais, sociedade civil, movimentos sociais, imprensa, setor privado e com ONG´s para garantir a implementação de mecanismos de proteção e apoio a infância e a juventude.

Um dos méritos deste trabalho é a inegável constatação de que houve um avanço muito grande da imprensa brasileira, de acordo com a pesquisa realizada pela Rede ANDI. Comparando a quantidade de matérias publicadas nos principais jornais brasileiros entre 1996 e 2004, houve uma evolução de mais de 1.000%. Os jornais do Nordeste apresentaram ótimo desempenho, com destaque para os cearenses O Povo, em 3º lugar, e Diário do Nordeste em 20º.

Entretanto, apesar da quantidade, ainda há muito a se trabalhar no que se refere a qualidade das matérias. É necessário aprofundar os temas e fugir da descrição factual, por exemplo, dos casos de violência contra crianças e jovens, dar maior visibilidade ao Estatuto da Criança e do Adolescente, estimular a sociedade a denunciar os abusos praticados e divulgar os canais disponíveis para que isso aconteça, tratar como fontes fundamentais nas matérias os elementos do sistema da garantia de direitos (Juiz da Infância e Juventude, Promotor da Infância e Juventude, Conselho Tutelar, Centros de Defesa da Criança e do Adolescente) e procurar inserir na sociedade a compreensão de que proteger as crianças e adolescentes é dever de todos.

Aline Paiva Nogueira

ONG's: o alto valor da solidariedade

Anos de tortura, censura e submissão aos mandos e desmandos dos regimes ditatoriais marcam a época de um Brasil refém da própria máquina político-administrativa, impositora limites à democracia. E, passados anos sob as ordens dos governos militares de humor oscilante, surge a Constituição de 1988, símbolo da garantia dos direitos humanos fundamentais até os dias de hoje.
Exemplo desse esforço do Estado para com o bem-estar social são as Organizações Não Governamentais, ou simplesmente ONG’s, responsáveis por realizar ações com finalidades públicas e não lucrativas, a partir de financiamentos/oações do governo e também de entidades privadas. É o caso da Encine (sede: Fortaleza-CE), criada em 1998 e coordenada pelo jornalista Ives Albuquerque, que surgiu a partir de um seminário na Casa Amarela para professores da escola pública, com o objetivo de ‘in’formá-los sobre a relação entre comunicação/educação. Motivo? Promover os direitos humanos das crianças e dos adolescentes com base na tecnologia midiática. Nós queríamos montar uma instituição que realizasse cursos audiovisuais para os jovens da escola pública, visando à educação, mobilização social, comunicação e sustentabilidade”, diz Ives.

Dentre as diversas ações, voltadas para formação da criança e do adolescente, o coordenador da Encine ressalta o projeto Megafone!, que surgiu há oito anos a partir de um curso de audiovisual. Logo, passou a ser veiculado pela TVC a fim de proporcionar a união teoria e prática aos alunos. “O papel do Programa Megafone é fazer com que um grande número de pessoas reflitam e criem momentos de "pensar junto", um pensar diferente de uma lógica comercial, com olhares que propõem uma nova forma de sociabilidade e arranjo de vida mais humano e solidário” (site da Encine).

Porém, não são todas as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público - OSCIP’s - ( como também podem ser classificadas as ONG’s) a representarem, licitamente, os direitos de seus ‘beneficiários’. Promover atividades sociais, culturais ou assistenciais e atuar de acordo com uma missão transparente podem ser apenas máscaras; uma ilusão para a corrupção fiscal.

Ainda nesse ano, a Polícia Federal desbaratou a relação entre um partido político e duas ONG’s, uma delas presidida pela esposa de um parlamentar. Em dezembro de 2007, um dos principais secretários do governo, que também vem a ser dirigente do partido e sindicalista, fraudou um processo de seleção para beneficiar uma ONG que iria qualificar jovens pobres de Brasília. Em contrapartida, exigiu que a entidade se comprometesse a contratar militantes do partido e seus familiares. A ONG topou – e venceu a disputa (levou R$ 350 mil). Já em maio deste ano, outro dirigente assinou um patrocínio de 1,32 milhão de reais do BNDES à ONG Meu Guri, da mulher do deputado Paulinho da Força.

Os casos citados foram parar na ‘CPI das ONGs’, quando poucos imaginavam que ‘donos da solidariedade’ fossem capazes de atos ilegais. E o que deve ser feito diante de inúmeros escândalos que tornam a sociedade ainda mais descrente no ‘ideal de um futuro melhor’?
A sociedade civil brasileira tem um déficit grande de organização e participação massiva, o que explica a baixa fiscalização, inclusive, dos "repasses" financeiros que ela faz para o Estado através dos impostos. E isso se reflete também no caso do terceiro setor. No entanto, há uma tendência crescente de preocupação e acompanhamento. Talvez, os inúmeros escândalos na mídia sejam resultado desse processo.

É preciso atentar para saber em que medida a população a quem se destinam as políticas está tendo voz ativa na formulação, implementação e avaliação das mesmas (inclusive nas "ações sociais" empreendidas pelas próprias empresas de comunicação). A participação ativa dos "beneficiários" é fundamental para que, independente do tipo de intervenção, o processo se dê da maneira mais transparente possível. "Beneficiários" entre aspas porque, ao fim, toda sociedade é beneficiária quando há sucesso na prestação dos serviços públicos e assistenciais.

Betinho definia as organizações não-governamentais da seguinte forma: “uma ONG se define por sua vocação política, por sua positividade política: uma entidade sem fins de lucro cujo objetivo fundamental é desenvolver uma sociedade democrática, isto é, uma sociedade fundada nos valores da democracia – liberdade, igualdade, diversidade, participação e solidariedade. (...) As ONG’s são comitês da cidadania e surgiram para ajudar a construir a sociedade democrática com que todos sonham”.

Esperar por iniciativas dos detentores dos altos cargos não seria a melhor opção. Autonomia e independência são palavras-mestras para se virar as ‘cartas marcadas’ desse jogo.

Por Edgel Joseph

sábado, 30 de agosto de 2008

Selo Unicef, eleições 2008 e um cuidado


Luís Gustavo de Negreiros Secundino

O encontro da última aula, que contou com a participação da jornalista Ana Márcia Diógenes, responsável pela comunicação da Unicef em 3 estados, foi importante por apresentar a gama de assuntos que abrangem a problemática da cobertura jornalística, no tocante à criança e ao adolescente. No entanto, o que mais me chamou atenção foge um pouco das redações e se encaixa perfeitamente no momento atual em que vivemos: as disputas eleitorais para prefeito e vereadores nos municípios brasileiros. Como será essa temática vem sendo trabalhada nas Eleições 2008?


A jornalista Ana Márcia fez questão de salientar que o Selo Unicef é o principal projeto da instituição no semi-árido. Segundo ela, 60% dos recursos são aplicados nessa empreitada, que premia com um simbólico selo os municípios que avançaram com relação às políticas públicas voltadas às crianças e aos adolescentes. Não há como duvidar do peso de um projeto como esse. Um investimento a longo prazo, que pode estar levando um avanço social às regiões mais carentes do Nordeste.


Porém, é importante um olhar crítico, quando se vê um selo com os dizeres "município aprovado". Ninguém é inocente de enxergar a premiação do Unicef como filantropia ou boa vontade do Prefeito. É óbvio que há um forte viés eleitoral. Imagino que todos os que tentam a reeleição em seus municípios querem essa marca simbólica de gestão, que funciona quase como um ISO.


O Unicef sabe disso. Fiquei feliz quando a jornalista Ana Márcia fez questão de dizer que a instituição está atenta a esse tipo de utilização do projeto. Tanto, que a lista dos municípios aprovados esse ano só poderá ser acessada após o período eleitoral, impedindo que os resultados sejam utilizados nas mais diversas campanhas.


No entanto, fica o alerta. Caso você veja o prefeito da sua cidade estampando o Selo Unicef em camisas ou faixas, lembre-se que ele só pode estar se referindo a anos anteriores. De qualquer maneira, é bom dar uma acessada no site e verificar a veracidade do discurso. Ser cidadão não é só votar! Bem, mais um assunto para a próxima aula.

Muito além da nota final!

Por Gabriela Meneses

A cena era comum no ambiente universitário. Estudantes, professor, convidado. Vou anotar tudo que ela disser. E o texto para o blog? E minha nota? Pensamentos como esses poderiam estar por trás de olhares atentos e curiosos. Ou não. Muito além da nota final, nós, futuros (ou já) profissionais de Comunicação tivemos a chance de vivenciar, através da experiência da comunicadora Ana Márcia Diógenes, oficial de comunicação do UNICEF, a luta pela garantia dos Direitos Humanos de crianças e adolescentes.

Entrar nesse campo é adentrar também nas políticas públicas que devem atender e garantir a efetivação desses direitos, uma vez que o Estado é responsável pela organização da vida coletiva e deve promover as condições necessárias para a existência digna dos indivíduos. Assim, Ana Márcia apresentou um dos principais projetos do UNICEF no Ceará, o selo UNICEF, que trabalha em parceria com os dirigentes municipais.

Essa iniciativa promove um espaço de cidadania para crianças e adolescentes. Os municípios atuam na perspectiva de desenvolver a comunicação comunitária, incentivando o público infanto-juvenil a produzir suas próprias peças de comunicação, e de incentivar a participação de crianças e adolescentes na gestão das políticas públicas. Atingindo os objetivos propostos pelo Unicef, o município é premiado com um selo de qualidade da criança e do adolescente.

www.selounicef.org.br

Entrar no campo dos Direitos Humanos é analisar também a participação do trabalho dos comunicadores sociais, que tem o poder de provocar reflexões na sociedade sobre os mais variados assuntos. Ana Márcia destacou a ANDI (Agência Nacional dos Direitos da Infância) como importante colaboradora no processo de formação de profissionais para atuar com os temas da infância e da adolescência no Brasil.

www.andi.org.br

No Ceará, a ONG Catavento Comunicação e Educação, através do trabalho da ANDI, promoveu uma pesquisa que traça um panorama da cobertura dos temas da infância e da adolescência no Estado. Felizmente, de acordo os dados da pesquisa, realizada em 2004, houve um avanço em relação ao ano anterior: a quantidade de matérias, veiculadas nos dois maiores jornais cearenses (Diário do Nordeste e O Povo), com enfoque na criança e no adolescente aumentou 27% em relação ao ano anterior.

No entanto, na mesma pesquisa, foi constatado que apenas 5,94% do total das fontes ouvidas por jornalistas eram crianças e adolescentes. Em matérias em que esses atores sociais aparecem como agente de algum tipo de violência, a polícia foi ouvida em 66,53%, os Conselhos Tutelares foram fontes em apenas 0,41% e os adolescentes, em 5,31%. Esses dados mostram que ainda é necessário mobilizar os profissionais, a fim de estreitar o diálogo entre a mídia e os temas da infância e da adolescência.

A experiência profissional e as informações apresentadas por Ana Márcia nos instigam a lutar por uma cobertura mais eficaz, mais profissional e mais comprometida com a promoção e a garantia dos Direitos Humanos da criança e do adolescente. Iniciativa que nos leva muito além dos pontos para a nota final, dirige-nos a exercer plenamente a função de comunicadores sociais.
Por Darlano Dídimo

A jornalista Ana Márcia Diógenes, oficial de comunicação da Unicef, foi a primeira convidada da disciplina "cobertura da agenda social", do curso de Comunicação Social da UFC. Ana Márcia iniciou sua carreira na área trabalhando no jornal "O Povo". A jornalista também teve experiências na TV jangadeiro e na TV Manchete, além de experimentar a assessoria de imprensa.

Ana Márcia começou a trabalhar no Unicef em fevereiro de 2001, onde permanece até hoje. O Fundo das Nações Unidas, o Unicef, é uma agência das Nações Unidas que tem como objetivo promover a defesa dos direitos das crianças, ajudar a dar resposta às suas necessidades básicas e contribuir para o seu pleno desenvolvimento.

O Fundo atua em 155 países pelo mundo. No Brasil, a agência possui oito escritórios, além da sede oficial em Brasília. No Nordeste, existem escritórios em Fortaleza, Recife, São Luís e Salvador.

O Unicef surgiu em 1946 com o objetivo de ajudar crianças vítimas de guerra, mas acabou ampliando sua atuação para crianças carentes do mundo inteiro. A área de cobertura da agência está diretamente ligada ao direito da criança e do adolescente. Um dos principais programas promovidos pelo Unicef atualmente é o Selo Unicef. A iniciativa faz parte do projeto de Comunicação Comunitária, que tem como objetivo estimular que os municípios entendam o que é comunicação e façam comunicação. O ideal é promover uma reflexão sobre o papel dos meios de comunicação na sociedade.

Segundo Ana Márcia Diógenes, apenas 22% das cidades utilizavam os meios de comunicação, e a maioria que desenvolvia esse trabalho tinha uma credibilidade baixa. Para a oficial de comunicação, o Selo além de ter mudado a realidade comunicacional do município, mudou a forma passiva como os políticos viam as crianças e adolescentes.

Outro assunto tratado por Ana Márcia foi a forma como os meios de comunicação cearenses tratam o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Eca, criado em 1990. De uma maneira geral, a jornalista disse que há uma grande incompreensão do estatuto, pois eles tratariam apenas dos direitos exigidos pelo documento, e não dos deveres proporcionados.

De acordo com a pesquisa "A criança e o adolescente na mídia cearense", realizada pela agência Catavento e pala rede ANDI Brasil, o Ceará representa 1,7% das 8.434 notícias que citaram o Eca ao longo do ano de 2004. Os dois principais jornais acompanhados, "O Povo" e o "Diário do Nordeste",ficaram entre os três que mais publicaram matérias citando o Estatuto, sendo que "O Povo" divide a primeira colocação com o jornal "A Tarde", de Salvador.

Dentre os problemas detectados pela pesquisa está a ocultação de uma série de pautas nas matérias em que o Eca é mencionado. Das 147 notícias analisadas no Ceará, apenas duas mencionam uma discussão de raça e etnia. Somente uma matéria cita o documento "Um Brasil para as crianças", documento que contém um conjunto de metas e objetivos sociais nas áreas de educação, saúde, proteção e HIV, e o Plano Presidente Amigo da Criança, que reúne propostas e projetos do Governo Federal para alcançar as metas estabelecidas no documento já citado.

Dentre as soluções propostas para consertar os problemas no trabalho da imprensa cearense na área estão: qualificar os jornalistas no tema e prepará-los para o diálogo com as fontes; citar, nas matérias que envolvam direitos previstos no Estatuto, o artigo ao qual se refere, seja quando falar sobre uma ação ou uma omissão; envolver cada vez mais os meios de comunicação, no sentido de se tornarem pública a discussão acerca da infância e da adolescência.

Cresce número de assuntos ligados à criança e ao adolescente na mídia cearense


 

Para falar um pouco sobre o tema "criança e adolescente", a jornalista Ana Márcia Diógenes, que, há sete anos, é uma das responsáveis pela comunicação do UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), esteve presente para uma conversa amigável conosco, estudantes de jornalismo, da disciplina Cobertura da Agenda Social, do curso de Comunicação Social da UFC.

 

Depois de uma breve apresentação do UNICEF, que surgiu como fundo de emergência, durante a guerra, para amparar as crianças atingidas e, posteriormente, passou a atuar em países em desenvolvimento, Ana Márcia fez questão de mostrar alguns números que dizem respeito à cobertura de assuntos ligados à criança e ao adolescente pelos meios de comunicação cearenses.

 

Segundo a jornalista, a ANDI (Agenda de Notícias dos Direitos da Infância) realizou, no ano de 2004, uma pesquisa com o tema "A criança e o Adolescente na Mídia do Ceará", que selecionou textos ligados direta ou indiretamente a aspectos do universo infanto-juvenil. Durante a pesquisa, quatro jornais cearenses foram analisados: O Povo, Diário do Nordeste, O Noroeste e Jornal Cariri.

 

Ao longo desse um ano, foram contabilizadas 8.434 notícias relacionadas à criança e ao adolescente. Destas, a maioria tinha como enfoque temas ligados à educação, à saúde, ao direito e à justiça e à violência. Em contrapartida, assuntos como sexualidade, situação de rua, desaparecidos e migração ficaram a margem, representando apenas 0,94% das notícias.

 

Embora os números ainda estejam bem aquém do almejado, há muito que se comemorar. De 1996 a 2004, cresceu, em 1.300%, o número de notícias ligadas ao tema. "A cobertura da mídia melhorou muito. Hoje, existem profissionais que, por estarem mais familiarizados com o tema, fazem matérias mais humanizadas", justificou Ana Márcia. "Parte dessa mudança também se deve às transformações dentro das faculdades, que estão ofertando disciplinas que levantam essas discussões", acrescentou.

 

Fazendo jus as palavras de Ana Márcia, a disciplina Cobertura da Agenda Social se propõe a trazer discussões humanizadas, sobre temas como: Direito Humano, Estatuto da Criança e do Adolescente, índio, negro, gênero, cultura livre, dentre outros.

 

SAIBA MAIS...

 

O UNICEF é uma instituição internacional, apartidária, que atua em 157 países, e se mantém graças a doações e vendas de produtos UNICEF;

 

Ele está presente no Brasil desde 1950, e conta com oito escritórios localizados nas áreas mais carentes.

 

A instituição tem como missão lutar pelos direitos das crianças e dos adolescentes em todo o mundo.

 

O Brasil e o UNICEF

por Ulysses Magno

Presente em 155 países o UNICEF, a instituição máxima na defesa dos direitos da infância, procura, utilizando-se da comunicação como uma ferramenta eficaz, promover no Brasil uma cultura de mobilização, envolvendo sociedade civil e estado na melhoria da qualidade de vida da criança e do adolescente.

Foi esclarecendo o papel da instituição internacional, que a jornalista Ana Márcia Diógenes, oficial de comunicação do UNICEF, expôs as ações da entidade aos alunos da disciplina Cobertura da Agenda Social da UFC no último dia 21 de agosto.


Durante a apresentação Ana Márcia mostrou as diversas ações praticadas pelo UNICEF, além de justificar suas áreas de atuação. Basicamente, o UNICEF age em duas importantes frentes, na captação de recursos para ONGs que defendem a causa da infância e no diálogo constante com o estado.


Sempre presente como um ator no contexto internacional, talvez, o mais importante papel da instituição no Brasil é de ser um facilitador e promotor na capacitação de pessoas e entidades que atuam diretamente na interminável jornada de levar alguma melhoria na qualidade de vida das crianças e adolescente do país.


São inquestionáveis as iniciativas do UNICEF no contexto brasileiro, contudo, neste momento, mais do que mencionar as ações, vale salientar o quanto é fundamental a imagem da entidade como referência na conscientização da nossa sociedade, em mostrar o que não quer ser visto.

UNICEF

Ana Márcia Diógenes, atualmente Oficial de Comunicação do UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância - no Pólo que abrange Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, palestrou no último dia 21 aos alunos da Universidade Federal do Ceará (UFC), matriculados na disciplina de "Cobertura da Agenda Social", sobre suas experiências profissionais e sobre o posicionamento da mídia em relação à problemática "Criança e Adolescente".

Foi no UNICEF, organização responsável por assegurar os "Direitos da Criança e do Adolescente", que Ana Márcia começou a lidar, diretamente, com a questão social e a mobilização política dentro da comunicação. Segundo ela, que teve vasto contato com o meio comunicativo, com destaque para o "Jornal O Povo" e a "TV Jangadeiro", foi no UNICEF que ampliou seus conhecimentos sobre formatos diferenciados de comunicação, comunicação alternativa e comunicação comunitária. "Até há pouco tempo, não existia tanta abertura na comunicação para se discutir novos formatos e novas possibilidades de se trabalhar. Hoje, já fazemos até isso que estamos fazendo agora, discutindo sobre a questão social", confessa.

O Trabalho realizado pelo Fundo das Nações Unidas foi iniciado em 1946 para ajudar a reconstruir os países mais afetados pela Segunda Guerra Mundial e foi consolidado em 1950, tornando a organização um Fundo Permanente. Desse momento em diante, a atuação do UNICEF não se restringiu mais somente aos países atingidos pela Guerra, mas também aos locais de miséria, atendendo, hoje, 191 países por meio de parcerias com governos municipais, estaduais, federal, sociedade civil, grupos religiosos, mídia, setor privado e organizações internacionais. Só no Brasil são 7 escritórios e 1 sede em Brasília.

Apesar da falta de recursos, o UNICEF batalha e desenvolve inúmeros trabalhos que vão desde o fortalecimento dos agentes responsáveis pela universalização dos "Direitos da Criança e do Adolescente" ao monitoramento das políticas públicas voltadas para "seus meninos e suas meninas". A comunicação, portanto, se faz uma aliada insubstituível, no sentido de que é ela que possibilita o contato e a passagem de dados relacionados a esta situação para a sociedade, observando que a mídia em si não tem dado tanta importância à questão da criança e do adolescente. No entanto, é válido afirmar que houve um crescimento considerável da cobertura do assunto nos últimos anos, ressaltando mais uma vez a atuação do UNICEF, através de projetos, como a capacitação de comunicadores.

O UNICEF trabalha com dois modelos principais de comunicação, a Comunicação Estratégica e a Comunicação Comunitária. No setor de comunicação estratégica, como afirmou Ana Márcia, desenvolve-se uma cultura de atuação sobre o público através dos chamados 5 verbos – sobreviver e se desenvolver, aprender, proteger(-se) do HIV/aids, crescer sem violência e ser prioridade nas políticas públicas –, realizando este trabalho de uma forma mais abrangente. Já através da Comunicação Estratégica, onde o UNICEF dedica mais de 60% de sua verba de comunicação, realiza-se um trabalho mais direcionado e incisivo, por meio do Selo UNICEF, monitorando e avaliando as promoções de políticas públicas voltadas para a criança e para o adolescente, garantindo transparência e desenvolvendo seu programa baseado em pesquisas e dados atualizados.

"Ando muito satisfeita com o trabalho que tenho realizado, apesar de cansativo, o retorno pessoal é muito válido", finaliza Ana Márcia.

Rafael Veras Castelo Branco

Informações: www.unicef.org.br / www.selounicef.org.br

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Selo Unicef: compromisso com a cidadania

Por Viana Júnior

Desde sua criação, o Estatuto da Criança e do Adolescente influencia as práticas educativas dirigidas à criança e ao jovem. Apesar desse aparente, reconhecimento, sua compreensão efetiva — enquanto marco e referencial para uma mudança estrutural das práticas educativas — é ainda uma possibilidade a ser descoberta por toda a sociedade.

Para promover os direitos das crianças e dos adolescentes, como uma política pública e social, o Unicef trabalha com duas frentes: uma estratégica – que traça planos para alcançar os resultados, e outra comunitária – que faz parcerias com a sociedade para tornar os objetivos do fundo palpáveis, o principal projeto é o Selo Unicef.

O Selo Unicef é um reconhecimento que o município pode conquistar pelo resultado dos esforços na melhoria da qualidade de vida de crianças e adolescentes. Segundo a oficial de comunicação do Unicef, Ana Márcia Diógenes, a cada ano, novas exigências são incorporados ao processo de seleção dos municípios merecedores dessa espécie de ISO do compromisso social que observa três aspectos: a gestão municipal, os impactos sociais das medidas adotadas pelo município e a participação política.

Para Ana Márcia, através dessa iniciativa, as práticas educativas e comunicacionais entre as crianças e adolescentes são aprimoradas, visando ao crescimento intelectual e a participação política no semi-árido.

Assegurar os direitos das crianças e dos adolescentes num Estatuto não é suficiente para incluí-los no processo de construção da sociedade. Além do suporte legal, é preciso dar condições para que eles se tornem participativos nas comunidades ao qual pertencem.

O Unicef no Brasil

O Unicef está presente em 155 países e aqui no Brasil atua através de subdivisões, chamadas plataformas: a do semi-árido (Nordeste) e a da Amazônia. Também está em planejamento a plataforma dos grandes centros urbanos que destinará as suas ações para o combate à violência.
O país conta com oito escritórios (Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza, São Luís, Recife, Salvador, Manaus e Belém) e mais a sede em Brasília. De cinco em cinco anos, é realizado um plano de trabalho com o Governo Federal através do Itamaraty, no qual se discute tanto os resultados quanto preparação de novas estratégias.
Mais informações sobre o Selo Unicef: www.selounicef.org.br.

domingo, 24 de agosto de 2008

'A paz é a gente que faz'

Por Edgel Teles

Ano eleitoral e inúmeras promessas de um ‘Brasil melhor’. Na TV, partidos políticos defendem ações de toda estirpe: das mais repetidas às impraticáveis, sob a legenda do bem-estar social. Com as promessas feitas pelo crescente número de pretendentes a uma vaga nas famigeradas assembléias e câmaras, aumenta, também, a esperança do povo. A ilusão do direito à educação, saúde e habitação contrasta com a boa vontade, apresentada durante as eleições, daqueles que se dizem donos do poder. Mas quando os direitos não vêm, e eles pouco vêm, é dever dos votantes cobrar dos votados.

Os insistentes apelos que a população faz ao governo público têm a conquista da paz como objetivo. Entretanto, parece que estamos longe disso, como mostram estatísticas que mais parecem manchetes: 12% das 55, 6 milhões de crianças brasileiras menores de 14 anos são vítimas anualmente de alguma forma de violência doméstica; 18 mil crianças são vitimizadas por dia e 12 crianças são agredidas por minuto. (Fonte: Sociedade Internacional de Prevenção ao Abuso e Negligência na Infância).

Muitos afirmam que esses números tão chocantes são resultado de políticas públicas ineficazes e insatisfatórias. Agredir um filho, porém, não é prática dos pais menos favorecidos, já os dados citados acima abrangem famílias de todas as classes sociais. É contraditório, portanto, cobrar um ‘Brasil melhor’ quando, dentro de casa, não há respeito entre pai e filho.

A alegada consangüinidade deixa parentes e vítimas inertes. Os maus tratos, que vão de ‘chineladas’ a abusos sexuais, não são denunciados junto aos Conselhos Tutelares e às Delegacias de Proteção à Criança e ao Adolescente. Assim, um dos principais motivos para a impunidade do crime é a falta de coragem.

Deve-se ressaltar que os casos de violência doméstica são pouco denunciados pela mídia.
Há entre os meios de comunicação uma espécie de tabu diante dos casos de incesto no país. Segundo pesquisas realizadas pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi), apenas 21,7% dos casos de abuso por parte dos pais são veiculados pela imprensa. Além disso, a palavra 'incesto' pouco aparece nos textos, prejudicando uma visão mais precisa do crime por parte dos leitores, que acabam por desconhecer as causas desse tipo de violência, bem como agir caso estejam em situação parecida. E a informação vem incompleta porque a cobertura é feita priorizando o ato violento em detrimento do fenômeno social.

Exigências por um futuro mais justo de pouco adiantam quando não há uma contribuição geral pela promoção da paz. Devemos aliar campanhas de conscientização, políticas governamentais, auxílio de ONGs e penas legais mais severas ao conceito simples de cidadania. A luta por direitos sociais só poderá ser feita plenamente em uma sociedade na qual os pais respeitam a integridade física e moral dos filhos.

Veja a carta que a apresentadora Xuxa escreveu sobre pais que maltratam os filhos: - Ela está à frente da campanha 'Não bata, eduque!', apoiada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Unesco e Andi - (http://www.naobataeduque.org.br/home/index.php)

Quantas Isabellas vamos perder até entendermos que violência e educação não combinam?
Será que não é o momento de as pessoas perguntarem se realmente educar é bater? Se precisa bater para educar?

Será que é necessário agredir, machucar, tirar sangue de uma criança, para educá-la? Ser o “responsável”, dá direito a bater na criança, com a frágil desculpa de que se está educando?!!!! Assim como outros comportamentos absurdos foram mudados (a escravidão; bater em mulher), está na hora de mudar essa “cultura” de que o pai, a mãe ou o responsável têm o direito de bater em uma criança, para educá-la.

A violência dentro de casa pode começar num olhar raivoso, berros, um tapinha, um empurrão, um beliscão até chegar à tragédia de atirar uma criança pela janela.

É nesse mundo violento que queremos viver? Até quando? O pensamento de algumas pessoas é que, “como eu apanhei quando crianças e estou aqui” - dizem alguns com orgulho - “vou repetir a fórmula, também baterei em meus filhos para ‘educá-los’”. Ou: “Assim ele vai aprender mais rápido, basta eu falar uma só vez e serei obedecido, ele vai saber quem manda aqui”. Minha vontade é gritar : “Quem deu esse direito aos adultos?” E por que algumas pessoas continuam acreditando nisso? Esse “direito”de adulto bater em criança deveria ser cassado. É absurdo! É animal! É irracional! Até os animais protegem os seus filhotes. Por que alguns seres humanos, racionais, não protegem os filhotes da nossa espécie?

É um assunto que tem que ser levado a sério. Temos que trazer este tema para o debate nacional. Criança não é “coisa” , é pessoa, e como pessoa e cidadã, precisa ser respeitada e protegida, precisa ser vista como prioridade, prioridade absoluta.

Há alguns anos, os maridos batiam nas mulheres sem que nada acontecesse. Era ‘normal’. Hoje, é crime bater numa mulher. Há pouco mais de um século, um ser humano podia ser dono de outro ser humano. A tragédia de Isabella causou comoção nacional, ganhou todas as manchetes de jornais, televisão, rádio, internet. Muitas outras histórias trágicas acontecem todos os dias por aí e nem ficamos sabendo. São invisíveis? Neste Brasil tão grande, quantas Isabellas já foram vítimas de violência e as pessoas não sabem?

Até quando vamos nos comover, falar no assunto durante dias, e depois continuar sabendo que situações como essas continuam acontecendo, “invisíveis”, até que uma outra manchete de jornal nos deixe indignados? Quantos pais, mães, responsáveis com raiva por situações de trabalho, ou por falta dele, com uma fechada no trânsito , brigas com namorado(a), marido( mulher), estressados com o dia-a-dia descontam nos filhos? E vão continuar descontando enquanto essa violência invisível não for recebida por toda a sociedade como crime.

Quando uma criança bate em outra, os pais dizem para não bater porque é falta de educação, é violência e tem que conversar com o amiguinho...Mas, como pai e como mãe, podem bater e dizer que é para educar??????? Como pode uma criança se defender de uma pessoa com o dobro do seu tamanho? Como se proteger e se defender daqueles que lhe deram a vida e, teoricamente, deveriam protegê-la?

Por que nossas crianças estão aprendendo dentro de casa o que é violência enquanto deveriam estar aprendendo o verdadeiro significado do amor? Quando ouvimos uma criança pedindo socorro ou sendo agredida por seus pais temos que cruzar os braços? Precisamos proteger nossas crianças com uma lei. Vamos gritar juntos! Violência de pai, mãe e responsáveis contra criança não é educação, é crime!"

No Criança Esperança, Xuxa canta a música a seguir. Tudo pelo combate à violência doméstica:

As nossas mãos
Tem o poder
De dar carinho
Em vez de dor
Tente entender
Pra que bater?
Toda criança
Tem direito ao amor

Vamos cantar
Eu quero Paz
Eu quero Paz
Uma só voz
Eu quero Paz
A Paz a gente é que faz
Vamos plantar
O Grão da paz
Pro mundo todo então colher
É pra lembrar que a Paz
Só pra dizer que a Paz
É a gente que faz

[crianças falam]
*Eu não gosto de sentir dor e fome
*Eu quero crecer sendo cuidado com muito carinho, amor e proteção
*Eu quero viver em segurança num mundo de paz
*Nehuma criança pode trabalhar eu quero ir pra escola estudar
*Eu quero saúde e alimento pra crescer forte e brincar
*Eu tenho medo de armas, eu não aceito nenhuma violência

> No Criança Esperança 2008, a Rainha dos Baixinhos canta a música na linguagem dos surdos. Confira o vídeo no Youtube - http://br.youtube.com/watch?v=x7Ruj0qF_0o